กรุงเทพฯ: cidade maravilha da beleza e do caos

Bangkok é um lugar maluco. Tem todo aquele brilho luminoso, progressivo e ofuscante, de uma grande metrópole asiática como Hong Kong ou Tokyo. Mas ao mesmo tempo, ela pode tender ao caos e desordem – que aparece expresso no trânsito, meio sem leis; nos seus comerciantes locais querendo passar a perna em turistas; ou na dificuldade de se comunicar. E em contrapartida, por lá você vai encontrar(-se) momentos da mais completa paz e reverência, que podem acontecer nos inúmeros templos do budismo ou do hinduísmo espalhados pela cidade. Ah, e mencionei que tudo isso rola com você envolto por um calor infernal, que constantemente beira os 40 graus, e que te faz suar feito um porco?

Grand Palace e o templo do Buda Esmeralda

Grand Palace e o templo do Buda Esmeralda

Chinatown em Bangkok

Chinatown em Bangkok

Tivemos nossa primeira prova da face caótica e ardilosa da cidade na chegada. Esqueça qualquer recomendação que sugira pegar um ônibus urbano por aqui. É impossivel saber onde eles passam, eles param quando querem e geralmente pedir qualquer informação é quase impossível. Aprendemos isso the hard way, e acabamos por alguns minutos perdidos na noite escaldante por aqui, sem saber como chegar ao hostel. A dica é permanecer fiel ao sistema de trens urbanos da cidade. Tanto as linhas do skytrain quando a MRT (subterrânea) são novas, limpas e bem organizadas. Táxi ou tuk tuk é sempre uma aventura: poucos motoristas entendem onde você quer ir exatamente e, na maioria das vezes, você pode acabar pagando muito mais do que vale o trajeto. Fiquei várias vezes lamentando a falta que fez conhecer um local que conhecesse bem a cidade pra ajudar a fugir dos scams e a se virar melhor com a locomoção entre um lugar e outro. Mas vai por mim, fora alguns pontos que são igualmente fáceis de chegar por barco (o pier central na estaçao de Sephan Tsak é bem preparado para turistas e bem sinalizado), o negócio é usar o trem para tudo.

Um dos guardiões da entrada do Grand Palace

Um dos guardiões da entrada do Grand Palace

Depois de um bom descanso, no dia seguinte à chegada fomos até o Grand Emperor Palace, onde fica o Temple of the Emerald Buddha, a residência da família real tailandesa e o palácio do governo. Por 500 baht, o tour tem um preço um pouco salgadinho, mas vale muito a pena, principalmente pela área sagrada/religiosa do palácio, onde estão preservadas inúmeras das riquezas acumuladas ao longo dos séculos de história do reino de Siam e da Tailândia. Vários exemplos marcantes da arquitetura sacro budista estão espalhados pelo palácio, como o belíssimo Phra Si Rattana Chedi, um grandioso relicário dourado.

Phra Si Rattana Chedi

Phra Si Rattana Chedi

Palácio Oficial do Reino Tailandês

Palácio Oficial do Reino Tailandês

Uma atração bastante curiosa é o museu da seda tailandesa e do guarda roupa imperial da rainha Sirikit, onde além de aprender um pouco das técnicas de produção e tecelagem da seda tailandesa, é possível ver modelitos clássicos da rainha usados em visitas de estado e aparições oficiais, e observar um pouco do ufanismo e devoção do povo tailandes a coroa, outro caso a parte na cultura local. Conforme é exibido numa das salas do museu, graças ao atual reinado de Rama IX e de Sirikit, o povo do interior da Tailândia obteve mais oportunidades para sair da miséria através da indústria da seda, estimulada pela rainha em suas visitas a comunidades interioranas e seus programas de incentivo. Num dos vídeos em exibição, uma humilde tecelã conta sua experiência com a rainha num tom de devoção divina: Sirikit, numa visita a oficina têxtil artesanal onde a tecelã trabalhava, a presenteou com um de seus casacos de seda. Sem saber o que fazer com o casaco, que não tinha muita utilidade para ela, a tecelã o colocou num pequeno altar em sua casa, onde regularmente depositava flores e oferendas como agradecimento à rainha – uma prática comum na religião budista aqui transposta em relação a família real. De fato, o rei e a família real daqui são bem onipresentes, figurando em todas as notas e moedas de baht, entre as fotos de Buda nos ônibus e altares, ou em outdoors pela rua.

A rainha quando ainda na flô da idade

A rainha quando ainda na flô da idade, cheia das seda

Essa foi pro instagram @buddhinha

Essa foi pro instagram @nabuddhinha

Terminado o tour no palácio, parti para o templo de Wat Pho, que fica praticamente ao lado. Ali dentro está uma das maiores estátuas que representam Buda deitado no mundo, e as proporções colossais dele são realmente impressionantes.

No dia seguinte fui ate o Weekend Market próximo a estação do MRT em Mo Chit. Uma espécie de Mercado Público, só que com 15 mil pequenas lojinhas que vendem de tudo: comida, decorações, souvernirs, roupas, artigos veterinários, artigos de banho e beleza, etc etc. Os corredores de lojas parecem não ter fim, e o mercado se emaranha feito um labirinto de compras, línguas estranhas, cheiro de curry e fritura, luzes, óleos aromáticos e muito, muito calor. Foi sem dúvida a melhor experiência da viagem na categoria mercados populares, e é meio impossível sair de lá sem comprar nada, pois os preços são muito baixos. Rola até mesmo um corredor meio hip com roupas moderninhas muito baratas. O problema é que na tailândia as pessoas são muito miudinhas, então achar algo que sirva bem pode ser meio complicado.

capitalismo selvageee

capitalismo selvageee

Em seguida peguei o MRT e parti para Chinatown, o caótico e colorido bairro chinês de bangkok. Muita comida estranha, restaurantes especializados em sopa de tubarão, lojas de jóias, penhores e mercados de chás e frutos secos. É caminhando em lugares como esse que você descobre porque tantas epidemias começam pela ásia: vigilância sanitária é algo que inexiste. Banquinhas de comida preparam sopas de macarrão ou espetinhos com carnes não identificáveis em cima de bueiros fedorentos; senhorinhas lavam em baldes com uma água barrenta; animais de rua comem o lixo do chão e as vísceras de peixe e frutos do mar que são descartados, tudo meio a centímetros de onde a comida é feita. Em alguns restaurantes até, a galinha ou o pato que vai ser comido é tirado ainda vivo de umas gaiolas mais apertadas que lata de sardinha, abatido ali mesmo e posto em preparação. Tem que ter coragem e um bom sistema imunológico pra encarar umas coisas dessas haha.

Fiquei hospedado no distrito de Silom, onde fica a sede dmaioria das multinacionais e bancos na Tailândia. Na Silom Road, principal via da região, fica um dos princais mercados noturnos de Bangkok, e é por ali também, entre um beco e outro que se desmembra da avenida, que está o “red light district” da cidade: casas de massagem, prostitutas, travestis, trambiqueiros, tem um pouco de tudo por ali. Numa caminhada por uma dessas ruas, sofri abordagens de todos os tipos. Não é muito recomendável andar por ali sozinho não.

Comidas, hum, duvidosamente apetitosas, ou seriam nojentenhas?

Comidas, hum, duvidosamente apetitosas, ou seriam nojentenhas?

No último dia, caminhei pela região central, da Siam Square. Não é la muito interessante, porque por lá você só vai encontrar um monte de shopping centers gigantescos, lojas de grifes famosas e restaurantes. O legal por ali é visitar o Erawan Shrine, um pequeno templo hindu com uma estátua de ouro da usa Ganesha. Uma curiosidade lá é a possibilidade de pagar uma quantia e ter o acompanhamento de músicos e de dançarinas durante sua oração. O preço para esse privilégio varia de acordo com o número de dançarinas que vão acompanhar sua reza.

Ajoelhou? Então vai ter que rezar

Ajoelhou? Então vai ter que rezar

Não muito longe dali fica a casa de Jim Thompson, um arquiteto norte americano que, após se apaixonar pelo país numa missão do exército estadunidense por aqui logo depois da 2ª guerra, viu o potencial da seda tailandesa no mercado mundial e soube se aproveitar muito bem disso. Sua casa conta com vários exemplos da arte religiosa budista e representa um interessante exemplo da mistura entre os estilos chines, tailandês e europeu em sua arquitetura. O tour é muito bem organizado, didático e totalmente acompanhado por guias.

Yankees, explorando a mão de obra thai desde a WWII

Yankees, explorando a mão de obra thai desde a WWII

Pra finalizar, embarquei num dos velhos e estranhos ônibus urbanos de Bangkok. Uma lata velha, que deve ter no mínimo uns 50 anos de idade, e é um sujo e bizarro veículo kitsch, a começar pela pintura colorida do lado de fora, e o monte de fotos e imagens de buda e do rei Rama IX coladas pelas paredes internas. No alto do banco do motorista tinha até um pequeno altar, com uma imagem de Buda naquela famosa pose de meditação, e algumas flores penduradas. Bangkok é um daqueles lugares tão diferentes que até uma viagem pelo ônibus urbano se torna uma experiência.

Se essa porra não virar, olê olê olááá... eu chego lá...

Se essa porra não virar, olê olê olááá… eu chego lá…

O destino do ônibus era a Khao San Road, a rua dos “mochileiros” da cidade. Bar é o que não falta por aqui, alem de lojas com imitações de roupa, com trajes meio hippongos bicho grilo, tattoo shops e ambulantes te oferecendo massagem, tranças e dreads no cabelo, tatuagens de henna e imitações de coisas como rolex e ternos armani. Um negócio estranho oferecido por lá também é falsificação de documentos pra estrangeiros, como carteira de estudante, carta de motorista e coisas do tipo. O lugar é tão voltado ao turista que um olhar ao redor pelas placas e luminosos vai encontrar apenas dizeres em inglês, praticamente. Não tive oportunidade de pegar a nightlife por lá, que dizem ser bem intensa (comprar drogas é tão fácil quanto comprar uma coca cola).

VERY GOOD SIR, HOW MUCH WANT TO PAY? YOU SAY PRICE

VERY GOOD SIR, HOW MUCH WANT TO PAY? YOU SAY PRICE

Como estou fazendo uma volta ao mundo e o budget fica mais amarrado por conta disso, não pude me aventurar num dos tours que podem ser feitos pelas redondezas da cidade, como no Tiger Temple ou no mercado flutuante do Rio Kwai. Mas pra quem tem 4000 bahts pra gastar (cerca de 350 reais), é possível agendar um desses passeios nesse site aqui ó … E ter a oportunidade de pousar pra fotinhas fazendo cafuné num dos tigres domesticados pelos monges do Tiger Temple. Não sei se teria coragem, mas parece ser uma experiência muito legal.

Bangkok é um destino essencial pra quem pretende conhecer um pouco de tudo. Os contrastes que colorem a cidade são os mais intensos que já vi numa metrópole, na sua multiplicidade de etnias, cores, crenças e estratos sociais. A capital tailandesa também pode ser uma cidade muito barata, onde boa comida pode ser conseguida com pouco, basta ir atrás dos lugares certos. O restaurante do hostel onde fiquei (saphai pae) tem uma comida excelente, e os pratos custam entre 5 e 12 reais. Nos mercados de rua, como no weekend market, é possível comer um prato de Pad Thai com frango por menos de 5 pila. Outra coisa bacana são os carrinhos de fruta, onde você pode comprar manga, melancia ou abacaxi já picadinhos por 1 ou 2 reais. Passar fome é difícil por aqui. Ficar sóbrio também: as cervejas locais Chang e Singha são excelentes e muito baratas, e pra quem gosta de destilados os preços são muito menores que no Brasil.

Fotógrafo: Moyan Brenn

Quando a viagem vai chegando perto assim é difícil conter a ansiedade. Para acalmar um pouco o frio na barriga, costumo navegar por perfis no flickr de fotógrafos viajantes (pra me insprrar e invejar um pouquinho também). Numa dessas encontrei o perfil de Moyan Brenn, um profissional de TI de Roma, na Itália, um garoto que um dia sonhava conhecer o Grand Canyon e que há 10 anos mantêm vivos dois hobbies: fotografia e viagem. As fotos de suas aventuras são de perder o fôlego, cheias de cores, beleza e muita composição.

Pôr do sol no Rio Danúbio, Budapest

Pôr do sol no Rio Danúbio, Budapest

Casa abandonada em Tromso, Noruega

Casa abandonada em Tromso, Noruega

Feirinha de Temperos, Istambul

Feirinha de Temperos, Istambul

Abadia de Monterano, Lazio

Abadia de Monterano, Lazio

Antelope Canyon, Arizona

Antelope Canyon, Arizona