香港, a cidade que nunca dorme

Imagem

Victoria Harbour durante a noite

Passei 5 dias em Hong Kong e posso dizer que foi uma estadia incrível, mesmo que eu não tenha conseguido ver e fazer tudo o que eu queria por lá. A cidade tem uma vibração estranha que é um pouco análoga com uma metrópole gigante como New York, só que com um temperinho bizarro chino-asiático. Sofri todos os tipos de choques culturais imagináveis, e o primeiro foi em relação a maneira com que o povo come na China. A comida chinesa que a gente tem no Brasil nos restaurantes não passa de uma versão “light” que os americanos adaptaram, meio que criando mais um “pout-pourri” de comida asiática que reproduzindo a culinária chinesa de fato. Pra começo de história, eles adoram intestinos e vísceras por aqui: de porco, de boi, de galinha. Coisas que são descartáveis pra gente, como pé de galinha, é tipo um acepipe por lá. Por todo canto também se vê barraquinhas vendendo espetinhos com um tipo de almôndegas, supostamente feitas de carne bovina, suína, peixe ou frutos do mar, mas que no geral tem o mesmo gosto. Não dá pra ser muito fresco com comida pra comer na China: até mesmo um restaurante mediano, com preços não muito baixos, não é lá muito sanitário, e a maioria parecem umas espeluncas mesmo. Mas, de vez em quando, umas experiências por um desses cantos é irresistível. Como por exemplo numa barraquinha de macarrão, tocada por dois ex-fisiculturistas. A atmosfera à primeira vista é um pouco assustadora: apenas algumas mesas engorduradas e dois caras de meia idade e bombados cozinhando numa cozinha cinzenta e esfumaçada. Mas é só vir a comida que junto vem a recompensa: se você gosta de uma pimentinha então, peça pelo brisket de músculo de boi apimentado, uma especialidade local. Uma pena que os dois estejam se aposentando agora, após 40 anos fazendo macarrão no mesmo lugarzinho na vizinhança de Mong Kok.

Imagem

Long Kee Noodle Shop, em Mong Kok.

Weird food nas ruas de Hong Kong

Weird food nas ruas de Hong Kong

Mas Hong Kong, mas que um lugar de contrastes culturais e culinária arriscada, é um pico turístico (e do dinheiro) bem visado nas rotas internacionais. Por isso, nem a prefeitura e nem as multinacionais de lá medem os esforços para proporcionar o espetáculo “Sinfonia de Luzes” para a turistada. Executada toda noite no Victoria Harbour, a “Sinfonia” é um show de neon, lasers e luzes multicoloridas ao longo de todo o skyline noturno da Ilha de Hong Kong. A maioria dos prédios de financeiras e multinacionais participam do espetáculo, tudo em sincronia com a música meio digital/futurista que as caixas de som ao longo do harbour emitem. E passa dia, passa negão, passa loirinha, a Sinfonia colore o céu da cidade religiosamente às 8 da noite.

Imagem

o patinho de 16,5m de altura que perambulava pelo Victoria Harbour mas que “faleceu” durante minha estadia. Por sorte consegui pegar o bichinho ainda vivo.

Quanto ao turismo de compra$$, apesar de ser relativamente barata, Hong Kong não tem lá muitas coisas que valem a pena comprar por ali se compararmos ao Paraguai, por exemplo. Os eletrônicos, tipo celulares e tablets, ou equipamentos fotográficos, são algumas coisas que saem por bons preços em Hong Kong, o que faz de lá um destino de compras popular na Ásia e entre a chinesada.

Não consegui ir até a gigante estátua de Tian Tan Buddha, que fica na Ilha de Lantau, um dos pontos turísticos mais famosos do território. A ida até lá costuma ser bem demorada (entre 2 e 3 horas mais ou menos), então caso resolva ir até lá é recomendável tirar o dia todo para tal. O MTR segue ate a estação Tung Chung, e depois é preciso pegar o teleférico ou o ônibus n. 23 (opção mais econômica).

Imagem

Vista da Peak Tower cheia de neblina. #chatiado.

Minha experiência com a Peak Tower, o prédio panorâmico no alto de um dos morros da Hong Kong Island, não foi das melhores. Dei o azar de pegar uma forte neblina que se formou bem no momento de nossa subida pelo tram. A linha, inaugurada ainda no final do século XIX pelos ingleses, sobe num ângulo de quase 45º, o que pode ser um pouco amedrontador. No alto, dois shopping centers (tem shopping em todo canto em Hong Kong) e a vista que, pra meu azar, era nula. O trajeto de ida e volta sai por 40 HKD, o que dá cerca de 10 reais, e para chegar ao ponto de subida do tram basta descer na estação central do MTR e seguir as sinalizações pela Garden Road.

Imagem

Não são só os ônibus em Hong Kong que tem dois andares: os trams também são esses trambolhos, uma marca registrada da cidade.

Também faltou tempo de conseguir pegar os icônicos Star Ferries que ligam as ilhas de Hong Kong pela baía. Uma delas, a de Cheung Chau, é uma das mais tradicionalmente chinesas, que não sofreram tanta influência da ocupação estrangeira, e é onde se concentram os principais templos budistas e os melhores frutos do mar da região.

Imagem

Frenético neurótico

No geral, Hong Kong pode ser uma cidade bastante exaustiva, com seu ritmo frenético, a sensação de estar o tempo inteiro espremido entre as milhões de pessoas que lá vivem; os shoppings que parecem não ter fim e que o tempo inteiro te pressionam a COMPRAR COMPRAR; e também a poluição visual que te cega as vezes e coloca tua cabeça nesse state of mind de eterna correria e informação que toma conta do ambiente por lá. Mas o choque cultural e a experiência de enriquecimento que isso traz faz tudo valer a pena, o que me faz até imaginar como seria viver num lugar como Hong Kong, e o quanto isso deixaria de marcas na minha forma de viver e ver o mundo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s