Helsinki

A capital da Finlândia é mais ou menos bem o que a gente imagina sobre a Escandinávia: tudo muito organizado, limpo, civilizado e, bem, loiro – achar pessoas de cabelo escuro por lá é um tanto difícil. E para um país onde o salário médio de um adulto fica na base dos 3.500€ é óbvio que tudo seria EXTREMAMENTE CARO. Se no restante da Europa os centavos ainda valem alguma coisa, o mesmo não se aplica para a Finlândia. O custo de vida chega a ser três vezes superior a lugares como a Espanha, por exemplo.

Gente loira

Gente loira

Apanhado histórico rápido do país: a Finlândia ainda nem completou um século como país independente – o domínio russo por lá só terminou em 1917. Mas ainda antes de ser ocupada pelos vizinhos ao leste, os finlandeses viveram séculos sob o domínio sueco: de meados de 1100 até mais ou menos 1809. E esse domínio ainda é meio uma pedra no sapato dos finlandeses, já que a presença de suecos por lá obriga a maioria dos dizeres de utilidade pública oficiais do país a serem em finlandês e sueco. A rivalidade entre os países atinge o nível de ódio algumas vezes e até hoje gera algumas disputas territoriais.

Interior da Helsinki Old Church

Interior da Helsinki Old Church

Helsinki não tem muitos prédios históricos como outras capitais europeias. A cidade é relativamente jovem e só ganhou status de centro da vida finlandesa quando os russos decidiram estabelecer ali o governo do grão-ducado da Finlândia no século XIX. Duas igrejas chamam mais a atenção: a Catedral de Helsinki – uma bela e imponente igreja toda branca em seu exterior -, e a Helsinki Old Church, igreja luterana com o interior todo charmosinho em madeira, o que torna o lugar um favorito local para casamentos. No geral, a cidade rende boas caminhadas pelas suas ruas largas com prédios neoclássicos (hoje já quase todos transformados em galerias e shopping centers), e pelas áreas verdes de seus parques, que no geral guardam algumas pérolas da arquitetura moderna e contemporânea: o museu Kiasma, o funcionalista Lasipalatsi, o belo Music Centre, o estádio das Olímpiadas de 1952 e o pavilhão de exposições Helsingin Messukeskus.

Kiasma, museu de arte contemporânea

Kiasma, museu de arte contemporânea

Em matéria de museus, vale a pena visitar o Kiasma para conhecer o que há de melhor em matéria de arte contemporânea produzida no país. O National Museum of Finland tem uma coleção imensa que vai desde artefatos de tribos que se estabeleceram nas geleiras do país na pré-história até obras de arte contemporânea. O prédio, inspirado em castelos vikings medievais, é outra atração e tanto. A cultura cinematográfica por lá é forte também, e no centro da cidade fica o cinema Orion (Eerikinkatu 15), uma sala de exibição belíssima com inspiração meio art-déco. Pertinho do Orion fica o Bar Moscovo, que pertence a Aki Kaürismaki, o principal diretor do cinema finlandês, que já levou inclusive a palma de ouro em Cannes. O lugar é pequeno mas super aconchegante e bem frequentado pelo pessoal artsy/descolado de Helsinki, e tem pelas paredes pôsteres da antiga União Soviética e como trilha sonora discos antigos de música russa tocados numa vitrolona que provavelmente saiu da indústria comunista.

O arquipélago-fortaleza de Suommenlina, distante 15 minutos de Helsinki por ferry (incluso no bilhete de transporte público), é outro passeio essencial a ser feito por lá. Tombado como patrimônio histórico pela UNESCO, a fortaleza se estende por todas as seis ilhas e é considerado um dos mais bem preservados exemplos de engenharia civil militar antiga do Mundo, tomada por largos muros e prédios de pedra com paredes de quase um metro de espessura. Construída pela coroa sueca em 1748 para proteger o império do expensionismo russo, o lugar resistiu apenas até o pacto entre Napoleão e o czar Alexandre I, o que garantiu a força que faltava a Rússia para conquistar a Finlândia – e, consequentemente, a fortaleza. No século XIX, sua posição no Mar Báltico foi estratégica para a proteção russa na Guerra da Criméia. Hoje a área recebe vários turistas, especialmente da própria Finlândia no verão, e abriga também pequenos conjuntos habitacionais.

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Suomenlinna

Eu nunca fui muito da “tchurma do metal” (sic), mas sei que muitas bandas importantes e conhecidíssimas são da Finlândia. E de fato, é facílimo encontrar uns fãs excêntricos de algum dos subgêneros do metal por lá. E eles estão trampando no caixa de supermercado, como motoristas de ônibus ou no McDonald’s, fato que me fez lembrar muito desse tumblr aqui.

Abrace o espírito local e vire fã de hockey em Helsinki. O esporte está para o finlandês como o futebol pra gente. Guarde uns euros pra tentar conferir um jogo do campeonato nacional na Hartwall Arena pra sentir um pouco do clima. Tive sorte de pegar o Campeonato Mundial rolando na cidade, e embora não tenha conseguido ver um jogo da seleção local (muuuito caro), pude assistir a partida entre EUA e Áustria, o que foi uma experiência inesquecível.

Hartwall Arena

Hartwall Arena

Mais fatos curiosos:

10º C ao sol é sinônimo de parques públicos LOTADAÇOS com pessoas correndo sem camisa e minas pegando um (ahem) bronze.

É quase impossível encontrar produtos falsificados à venda – vendedor ambulante e lojinha xing ling nem pensar. O clima de obediência fiscal e civil no país é coletivo e muito presente. Andar no transporte público sem bilhete é pedir pra ser multado, e burlar as leis, mesmo que seja algo minísculo, dificilmente sai impune.

A cidade tem MUITOS shopping centers e galerias. Não sei se é reflexo do frio, mas o povo parece amar ir em centros de compras.

Por falar em compras, o alto poder aquisitivo dos finlandeses faz com que a galera parta pra Alemanha comprar carros de luxo da BMW ou da Mercedes Benz por valores que chegam a ser 50% mais baixos que dentro da Finlândia. Aliás, dificilmente você achará um táxi dentro de Helsinki que não seja um modelo suntuoso de uma dessas marcas.

Nos supermercados, só é permitido vender cerveja com até 5% de teor alcóolico e apenas até as 20h, depois disso a área com bebida alcóolica é fechada mesmo que o mercado continue aberto. Se você quiser comprar vinho ou algum destilado, somente em lojas especializadas (que também funcionam em horários “alternativos”).

Mas a finlandesada se esbalda mesmo é na Estônia, que é praticamente a versão deles do nosso Paraguai. Ferries saem de Helsinki para Tallinn, a capital estoniana, quase que de hora em hora, e os finlandeses voltam de lá com carrinhos lotados de engradados de cerveja, fardos de Vodka, Licor, Whiskey e Vinhos. Uma lata de cerveja mesmo custa até quatro vezes menos. Chega a ser meio deprê viajar num ferry desses, que geralmente volta com tiozões fedendo a álcool e trançando as pernas no balanço do barco.

Vista da rua Mannerheimintie

Vista da rua Mannerheimintie

Quanto custa? Se vier pra cá prepare o bolso pra levar algumas facadas. Ficar em Hostel não vai sair por menos de 25€ a noite, e pra comer o jeito é ficar no fast food (um McMenu sai por 7,50€ em média), ou procurar uma opção numa das galerias como a FORUM que tem uns restaurantes na praça de alimentação que oferecem pratos prontos por preços que vão de 8 a 12€. Até pra comprar coisa no mercado e cozinhar a coisa aperta, e no geral mais vale comer num fast-food qualquer que é mais econômico. Queria provar coisas típicas da Finlândia mas fiquei na vontade: um prato de sopa de rena defumada com queijo saía 18€. Os museus também são carinhos, mas nada muito diferente do restante da Europa.

BEBIDA No mercado custa entre 2 e 4€ por pint, enquanto nos bares sai entre 4 e 7€. Vinho nem pensar (no mínimo 10€ na garrafa). Ou seja, melhor ficar na água por aqui (hê).

TRANSPORTE PÚBLICO: comprar bilhete único é caríssimo: 2,80€. A solução é comprar um que seja válido para vários dias. Eu mesmo comprei um para 3 dias por 16€, o que já incluiu os 9€ da ida e volta do aeroporto.

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Breja cara, Urso #chatiado

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